|
Abordagem Diagnóstica e Manuseio Terapêutico da Doença Coronária Crônica:
Recomendações Oficiais do Consenso da SOCERJ
Conduta no Paciente Pós-infarto, com ou sem Angina
1) A conduta diagnóstica e terapêutica é semelhante à outras formas de
doença estável s/ IAM.
2) São 3 os principais fatores de risco para novos eventos isquêmicos:
2-1) Magnitude da isquemia miocárdica
residual.
2-2) Grau de disfunção da ventricular
esquerda.
2-3) Severidade anatômica das lesões,
devendo-se usar de forma integrada a avaliação desses parâmetros, muito
embora os dois primeiros sejam > importantes hierárquicamente, no sentido de
caracterizar a gravidade da doença e servir de guia para a indicação da
cinecoronariografia.
3) A expêriencia acumulada através dos anos indica que é possível
fazer-se uma correta avaliação do risco para novos eventos nestes pacientes,
visando separar os considerados de baixo risco, onde, em geral, apenas o
acompanhamento clínico e a intervenção médica são suficientes, dos de alto e
médio risco, nos quais indica-se, com frequencia, o estudo
cinecoronariográfico para se avaliar a conveniência de se adotar um
procedimento de revascularização miocárdica.
4) Algoritmo de conduta diagnóstica e terapêutica baseada na
extratificação do risco:
5) Tratamento farmacológico: Independentemente da conduta adotada (tratamento
clínico, cirurgia ou angioplastia), todos os pacientes deverão se submeter
aos seguintes itens:
5-1) Correção dos fatores de risco
coronário, em especial a manutenção de níveis adequados e LDL colesterol (abaixo
de 100 mg/dl), que, conforme demonstrado em inúmeros estudos de prevenção
secundária, foi o fator determinante da redução de novos eventos
coronarianos.
5-2) Uso de antitrombóticos (aspririna
ou ticlopidina), é essencial, pelo fato de ter sido demonstrada sua
interferência na mortalidade neste tipo de paciente.
5-3) Os betabloqueadores, salvo contra-indicações,
também devem ser utilizados de rotina, pois, é a única das drogas anti-isquêmicas,
que interferiu favoravelmente na morbi-mortalidade, inclusive em pacientes
diabéticos.
5-4) Nitratos: embora não haja nenhum
grande estudo demonstrando um efeito favorável e definitivo nos pacientes
pós-infarto, suas várias ações anti-isquêmicas e venodilatadoras justificam
seu uso, especialmente em presença de isquemia ativa e de insuficiência
ventricular esquerda.
5-5) Antagonistas dos canais de cálcio:
seu emprego somente se justifica em presença de hipertensão arterial
sistêmica ou isquemia miocárdica ativa, em que o componente vasoespástico
seja evidente ou predominante, já que nenhum estudo, nem a experiência
acumulada comprovou algum tipo de efeito na diminuição de eventos coronários
pós infarto.
6) Tratamento Antiarrítmico: está indicado para pacientes com
arritmia ventricular complexa, como as taquicardias paroxísticas
ventriculares. As drogas que mostraram algum efeito positivo em termos de
redução da morbi-mortalidade pós-infarto foram as do grupo 3 (amiodarona /
sotalol) especialmente a primeira, que deve ser usada preferencialmente
nestas situações. Recentemente, o uso do desfibrilador automático
implantável vem demonstrando eficácia superior a estas drogas, em casos
graves e selecionados, com as seguintes características: baixa fração de
ejeção, taquicardia ventricular não sustentável de difícil controle, morte
súbita ressucitada, tendo como base o emprego de estudos eletrofisiológicos.
7) Emprego da revascularização miocárdica: as indicações de
angioplastia coronária e cirurgia de revascularização devem seguir as mesmas
indicações e os tipos de procedimento já expostos nos capítulos anteriores.
A correção dos defeitos mecânicos (comunicação interventricular,
insuficiência mitral e aneurisma ventricular) está baseada na incapacidade
de manter um contrôle clínico inadequado, o que é frequente nas duas
primeiras patologias, onde a cirurgia é quase sempre empregada de rotina. |