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Abordagem Diagnóstica e Manuseio Terapêutico da Doença Coronária Crônica:
Recomendações Oficiais do Consenso da SOCERJ
Doença Coronária Assintomática
1) Incide em cerca de 2 a 4 % da população de indivíduos considerados
saudáveis do ponto de vista cardiovascular, sendo mais frequente entre os
portadores de maior concentração de fatores de risco coronário, em idade
compatível para o aparecimento da doença.
2) Roteiro para aumentar a precisão diagnóstica e avaliar o risco
para desenvolvimento de eventos coronários agudos na população de indivíduos
com doença coronária assintomática (isquemia silenciosa):
2-1) Atenção às alterações do segmento
S-T e onda T ao eletrocardiograma basal (na ausência de outras causas para
justificá-las) e às depressões do segmento S-T ou outras manifestações
isquêmicas durante a realização de testes ergométricos ou quaisquer outros
métodos não invasivos provocativos de isquemia em pacientes que apresentem,
em sua história clínica, um grande número de fatores de risco coronário, e
que são frequentemente submetidos a exames periódicos ou para o início da
prática de exercícios ou como parte de avaliações periódicas em executivos e
em indivíduos responsáveis pela segurança coletiva em profissões de risco.
2-2) Valorização, durante a realização
de testes não invasivos, de alterações que caracterizem, com a máxima
precisão possível, o risco de agudização da doença, procurando separar os de
alto e baixo risco, já que as condutas são totalmente distintas no que se
refere à abordagem diagnóstica e terapêutica. No teste ergométrico, são
achados clássicos de risco elevado pelo encontro de uma capacidade funcional
muito fraca (impossibilidade de alcançar 5 METS), angor + infradesnível do
segmento S-T maior de 4 a 5mm em baixa carga, e reserva inotrópica
inadequada (queda da pressão arterial intra-esforço). Por outro lado, um
desempenho normal (acima de 8 a 9 METS), reservas inotrópica e cronotrópica
normais podem ser considerados sinais de baixo risco, mesmo em presença de
infradesnível do segmento S-T, especialmente quando menor de 2 mm e de
desenvolvimento tardio. Pacientes com características intermediárias destes
parâmetros, ou seja, com capacidade funcional entre 5 e 8 METS, incapacidade
em atingir a frequência cardíaca sub-máxima, infradesnível do segmento S-T
acima de 2 mm, porém com reserva inotrópica preservada, e aqueles que, por
qualquer razão, não estejam aptos a se exercitarem, merecem uma avaliação
pelos métodos de imagem (cintilografia e ecocardiografia de estresse) para
melhor definição da gravidade do caso. O encontro de múltiplas e intensas
áreas de hipocaptação reversível da substância radioativa ou de extensos
segmentos de disfunção contrátil à ecocardiografia de estresse com
dobutamina apontam para um risco mais elevado. Ao contrário, a ausência
destes dados, caracterizaria um baixo risco para eventos isquêmicos.
3) Indicação de Cinecoronariografia: Deve-se usar uma política
criteriosa na indicação do estudo hemodinâmico neste grupo de pacientes. Não
se deve esquecer que são indivíduos assintomáticos, muitos deles sem
limitação da atividade física, o que justificaria uma postura mais
conservadora. Por outro lado, a ausência do componente subjetivo da dor,
muitas vezes subestima o risco, podendo induzir, erroneamente, a uma postura
menos agressiva de abordagem. Deve-se indicar, prioritariamente, o estudo
angiográfico, visando a uma possível indicação de revascularização
miocárdica, quando encontrarmos em pacientes com:
3-1) Um teste ergométrico caracterizado
como de alto risco.
3-2) Um teste ergométrico caracterizado
como de médio risco, porém com extensas áreas de miocárdio isquêmico sob
risco identificadas à cintilografia miocárdica ou ao ecocardiograma de
estresse.
3-3) Indicação para cirurgia de grande
porte, cardiovascular ou não, em presença de um teste não invasivo positivo
para isquemia miocárdica, de qualquer grau.
3-4) Ocupação funcional que envolva
segurança coletiva, em presença de um teste não invasivo indicativo de
isquemia miocárdica, de qualquer grau.
Os pacientes que não apresentarem tais características, identificados como
de baixo risco, poderão ser mantidos em tratamento clínico, realizando
apenas revisões periódicas, a cada 6 meses, com testes não invasivos . A
eventual piora do limiar isquêmico justificaria a mudança de postura no
sentido de se indicar um estudo cinecoronariográfico.
4) Manuseio Terapêutico: em linhas gerais, é semelhante ao da doença
sintomática (vide capítulo Angina Estável sem Infarto Prévio), já que a
correção dos fatores de risco, o uso das drogas anti-trombóticas e anti-isquêmicas,
bem como o emprego dos métodos de revascularização miocárdica, tem o mesmo
significado dos pacientes sintomáticos. A prática de exercícios físicos
programados deve ser encorajada, seguindo-se os princípios delineados no
documento completo deste consenso. |