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Abordagem Diagnóstica e Manuseio Terapêutico da Doença Coronária Crônica:
Recomendações Oficiais do Consenso da SOCERJ
Doença Coronária em Situações Especiais
1) Doença coronária crônica na mulher: As mulheres tem aspectos
epidemiológicos e clínicos próprios, que devem ser conhecidos, já que a
compreensão destes dados pode ter influência na abordagem diagnóstica e
terapêutica. Os mais importantes são:
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Os fatores de risco mais prevalentes e que tem maior importância por
interferirem na doença são: o tabagismo, o diabetes, a obesidade (especialmente
a centrípeta), o sedentarismo, a hipertrigliceridemia (principalmente
com níveis baixos de HDL colesterol e o hipoestrogenismo), compondo uma
síndrome metabólica muito mais frequente que no homem, embora outros
fatores como, a hipercolesterolemia, o estresse e a hipertensão arterial
não sejam desprezíveis. Os novos anticoncepcionais orais, embora não tão
danosos ao aparelho cardiovascular quanto os antigos, podem causar
elevação de LDL colesterol, diminuição do HDL colesterol, além de
efeitos adversos na tolerância à glicose e na resistência insulínica,
podendo ainda ser considerado um fator de risco apreciável na mulher pré
menopausa, principalmente quando associado ao tabagismo e ao estresse.
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A dor torácica, embora seja a manifestação inicial predominante da
doença coronária na mulher, costuma ser mais frequentemente atípica
quando comparada ao homem, estando, nestes casos, relacionada com a
doença anatômica em apenas 35% dos casos. Quando típica, associa-se com
doença coronária à angiografia em cerca de 60% dos casos, diferentemente
do homem, onde esta taxa chega a 90%. Portanto, do ponto de vista da
ateroesclerose, a forma típica deve ser valorizada com certa cautela e a
forma atípica não deve ser desconsiderada, provavelmente pelo papel do
vaso espasmo associado.
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O teste ergométrico tem, reconhecidamente um índice mais elevado de
resultados falso positivos do que no homem, tendo um valor diagnóstico
menos importante, devendo-se recorrer com mais frequencia a outros
exames, como a cintilografia de perfusão miocárdica e o ecocardiograma
de estresse, para a confirmação da isquemia.
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Em relação às condutas terapêuticas e à prevenção da doença, devemos
atuar sobre as mulheres da mesma forma do que no homem, entretanto, uma
ênfase especial deve ser dada, em relação aos fatores de risco coronário,
ao contrôle do tabagismo, do uso de anticoncepcionais na pré-menopausa e
a reposição estrogênica (na per e pós menopausa). Esta deve ser sempre
implementada em mulheres com doença coronária diagnosticada ou que
tenham dois ou mais fatores de risco coronários principais presentes.
2) Doença coronária crônica no idoso: Tal como nas mulheres,
existem dados peculiares importantes em relação à população idosa com doença
coronária crônica, que merecem ser destacados, e que até há pouco tempo não
eram adequadamente considerados.
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O contrôle dos principais fatores de risco coronário, é tão
importante quanto nos mais jovens, conforme demonstrado de maneira clara
nos estudos de prevenção secundária como o 4S e o CARE;
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Os benefícios da atividade física, mesmo considerando as limitações
relativas à sua implementação nos idosos, são claros, devendo ser
indicados sob supervisão especializada e com reavaliações médicas
periódicas;
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A coexistência de outras doenças, a tendência a uma maior severidade
da doença, as dificuldades de percepção e as limitações à atividade
física próprias da faixa etária, fazem com que a angina do peito
clássica seja, muitas vezes, menos evidente, sendo substituída pelos
chamados "equivalentes anginosos" (dispnéia/sinais de baixo débito
sistêmico e de falência ventricular esquerda), que deverão ser
valorizados;
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O teste ergométrico, pelas mesmas razões torna-se muitas vezes
inezequível, devendo se recorrer com maior frequencia a outros métodos
de demonstração de isquemia miocárdica, como a cintilografia e o
ecocardiograma de estresse, ambos sob a ação do dipiridamol;
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A terapêutica médica deve ser cuidadosamente invidualizada,
principalmente em termos de doses e de interações medicamentosas entre
as drogas, em função da menor capacidade de eliminação renal e da maior
sensibilidade farmacológica dos idosos;
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As indicações de estudo cinecoronariográfico e a eventual opção pela
revascularização miocádica, neste grupo de pacientes, deve basear-se em
uma avaliação ainda mais criteriosa, pela reconhecida maior morbi
mortalidade destas intervenções, (em especial a cirurgia) nesta
população de pacientes.
3) Doença coronária crônica em Diabéticos: Dados do estudo
Framingham mostram ser o Diabetes um fator de risco independente para a
doença coronária, sendo capaz de duplicar sua incidência nos homens e
triplicá-la no sexo feminino, fazendo com que as mulheres tenham um risco de
desenvolvimento da doença semelhante ao dos homens, no período pré-menopausa,
anulando assim o efeito protetor do estrogênio. O Diabetes é também capaz de
aumentar a morbi mortalidade da doença, seja em relação ao desenvolvimento
de infarto agudo do miocárdio, a incidência de lesão multivascular e a morte
súbita.
Algumas características peculiares destes pacientes merecem ser
destacadas:
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A doença resulta, em geral, de uma associação de fatores metabólicos
e de pró-coagulação, que incluem aumentos nas taxas de triglicerídeos,
das sub-frações de LDL denso e pequeno, da Lp(a), do fibrinogênio, do
inibidor do ativador do plasminogênio (PAI-1), da agregação plaquetária,
do fator de von Willebrand, além da queda nos níveis de HDL colesterol,
hiperinsulinemismo e disfunção endotelial, sem desprezar o papel dos
outros fatores de risco clássicos.
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A exteriorização clínica da doença tende a ser menos clara nos
coronariopatas diabéticos, provavelmente causada pela denervação
autonômica do coração, habitualmente encontrada nesses pacientes. Assim,
a angina do peito pode ser de mais difícil reconhecimento, os infartos
do miocárdio podem passar desapercebidos e até mesmo os episódios de
depressão silenciosa do segmento ST ao Holter e os defeitos de perfusão
coronariana podem ser menos frequentes, tornando mais difícil esse
diagnóstico da doença coronária neste paciente.
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Em alguns pacientes, a doença pode exteriorizar-se através de um
quadro clássico de miocardiopatia, predominantemente do ventrículo
esquerdo, frequentemente acompanhado de alterações do segmento ST ao
eletrocardiograma e aumentos da massa ventricular esquerda.
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Em relação à terapeutica anti-isquêmica, deve-se usar, de
preferência, nitratos, antagonistas dos canais de cálcio e inibidores da
ECA, pela reconhecida ausência de efeitos metabólicos destes fármacos.
Os betabloqueadores no entanto, tem efeitos favoráveis em pacientes
pós-infarto do miocárdio, devendo ser usados cuidadosamente (pelos
reconhecidos riscos na população diabética), e na ausência de contra-indicações,
devendo-se preferir os considerados seletivos.
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A revascularização miocárdica tem maior incidência de complicações e
piores resultados a curto prazo nos diabéticos em relação aos não
diabéticos, tanto no que se refere à angioplastia coronária quanto à
cirurgia. Resultados recentes do estudo BARI, mostram de forma clara os
melhores resultados com a cirurgia do que com a angioplastia em
pacientes com obstruções multi-arteriais. Mais recentemente evidenciou-se
a importância do uso dos Stents, quando da utilização da angioplastia
coronária nestes pacientes, pela elevada incidência de reestenose
angiográfica no grupo submetido ao uso isolado do balão (63%),
comparativamente aos que utilizaram balão mais Stents (25%).
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