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I Consenso Sobre Manuseio Terapêutico da Insuficiência Cardíaca - SOCERJ
12. Anticoagulantes
A incidência anual de eventos tromboembólicos em pacientes com
insuficiência cardíaco é estimado, após análise de grandes estudos, entre
0,9% e 5,2%1. O Veterans Affairs Cooperative Study Vasodilator - Heart
Failure (V-HeFT VA)2, em seguimento de 2,6 anos, encontrou a taxa de 5,7% ao
ano, enquanto que o Studies of Left Ventricular Dysfunction (SOLVD)3 5,3%. A
prevalência de FA nestes estudos foi de 12% a 36%.
O tromboembolismo é uma importante complicação em pacientes com
insuficiência cardíaca. O aumento do risco neste grupo de pacientes é
multifatorial, relacionando-se com a combinação de contratilidade diminuída,
baixo débito, turbulência de fluxo através de câmaras cardíacas dilatadas,
superfície endocárdica anormal, hipertrofia atrial esquerda e fibrilação
atrial (FA)4. Além disso, a inatividade física associada à estase venosa
contribui para o tromboembolismo venoso. Recentemente, têm surgido
evidências que os pacientes com insuficiência cardíaca apresentam um estado
de hipercoagulabilidade crônica, com concentrações plasmáticas de
procoagulantes aumentadas5.
A fibrilação atrial, particularmente quando associada com baixa fração de
ejeção, identifica um subgrupo de pacientes com alto risco de
tromboembolismo4,6.
Embora ainda não tenha sido realizado um ensaio controlado sobre
anticoagulação em pacientes ambulatoriais com insuficiência cardíaca, a
anticoagulação oral tem sido freqüentemente usada para prevenir embolização
sistêmica. Contudo, nestes pacientes a indicação profilática de
anticoagulante não deve ser feita de rotina. A preconização desse
procedimento é reservada aos pacientes com histórico de fenômeno embólico
prévio, com trombo intracardíaco e em fibrilação atrial. A droga mais
utilizada é a warfarina, um composto hidroxicoumarínico, de rápida absorção
gastrointestinal que atinge concentração plasmática máxima em 90 minutos.
Apresenta meia vida entre 36 e 42 horas atuando como antagonista da vitamina
K. Para o controle da anticoagulação adota-se o International Normalized
Ratio (INR), que deve ser mantido na faixa entre 2 e 31. Entretanto, é
necessária criteriosa avaliação do risco de complicações da anticoagulação
em pacientes de difícil acesso a exames laboratoriais e de baixo nível
cultural7. Os determinantes de sangramento, relacionados à warfarina, são
aqueles ligados à condições próprias do paciente como idade e antecedentes
de hemorragia, uso concomitante de drogas que interferem na hemostasia,
certas doenças hepáticas, duração do tratamento e, nos pacientes portadores
de insuficiência cardíaca, congestão hepática que possa interferir no
metabolismo da warfarina8.Por atravessar a barreira placentária é contra
indicada na gravidez, tendo efeitos abortivos e de má formação congênita. A
minimização ou reversão dos seus efeitos é obtida com a administração de
vitamina K intravenosa, pela reposição de plasma fresco ou pela transfusão
de concentrados de fatores de coagulação.
A utilização de f'ármacos antiagregantes ou antiadesivos plaquetários não
têm indicação, ainda carecendo de estudos que comprovem sua eficácia clínica
na insuficiência cardíaca e nas miocardiopatias dilatadas.
O emprego da anticoagulação parenteral em portadores de insuficiência
cardíaca descompensada, sob regime de internação, é de consenso. A droga de
escolha é a heparina, um glicosaminoglicano. Seu principal efeito
anticoagulante se deve a um pentassacarídeo com alta afinidade de ligação à
antitrombina III (ATIII)9. A interação da heparina com ATIII acelera a sua
capacidade de inibir enzimas da coagulação: trombina, fator Xa e fator IXa.
As doses profiláticas recomendadas são de 10 000 a 15 000 unidades
subcutâneas por dia. Os efeitos anticoagulantes da heparina são
monitorizados pelo tempo parcial de tromboplastina ativado (PTTa). O efeito
terapêutico é obtido com PTTa de 1,5 a 2,5 vezes o valor controle10. A
principal complicação da heparina é a hemorragia por alterações da
coagulação, impedindo a função plaquetária e aumentando a permeabilidade
vascular10. O efeito anticoagulante da heparina desaparece poucas horas após
a descontinuação da droga. As hemorragias brandas usualmente são controladas
sem necessidade da administração de drogas. Contudo, quando necessário, seus
efeitos podem facilmente ser revertidos pela administração de sulfato de
protamina. Ao contrário da warfarina, a heparina não atravessa a barreira
placentária não sendo relacionada com malformações congênitas, à
prematuridade ou a mortalidade fetal.
Atualmente, vem sendo dada uma especial preferência às heparinas fracionadas
ou de baixo peso molecular, embora não haja grandes estudos que comprovem a
sua eficácia. Podem ser utilizados por via sub-cutanea, a:
Enoxiparina: 0,5 a 1 mg/Kg, a cada 12 horas, por via sub-cutanea.
Fraxiparina: 7,500 a 15,000 U, a cada 24 horas.
Liquemine: 12,500 a 17,500 U , a cada 12 horas.
Indicações aceitas para o uso de anticoagulação por Warfarin:
Pacientes com ICC e história de eventos
tromboembólicos sistêmicos ou pulmonares ou quando se detecta a presença de
trombo ou remora intracavitária.
Indicações controversas:
Contraindicações:
-
Presença de disfunção hepatica,disturbio da coagulação,estado
demencial, Doença Peptica Ativa, Neoplasia Gastro-Intestinal,Plexo
Hemorroidárico Interno de Grau Avançado.
-
Paciente Alcoolotra.
Observar o uso de outras medicações que podem potencializar a atuação
do Cumarínico:
Observar alimentos ricos em vitamina K, que podem vir a neutralizar o
efeito do Cumarinico:
-
Alimentos Verdes (Espinafre,Broquolis,Chicóri,Cove,etc.)
Indicações aceitas para o uso de Heparina de Baixo peso molecular ou
fracionadas:
-
Via subcutanea nos pacientes em fase de descompensasão da
Insuficiência Cardíaca,que se encontram acamados.
-
Uso nas primeiras 72 horas de introdução do Cumarínico.
-
Avaliar adequação do PTT, 6 a 8 horas após a administração.
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