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I Consenso Sobre Manuseio Terapêutico da Insuficiência Cardíaca - SOCERJ
13. Drogas Antiarrítmicas
As indicações para uso de antiarrítmicos em pacientes com insuficiência
cardíaca ainda apresentam pontos contraditórios e polêmicos. Parece ser
opinião unânime, extraída dos resultados de alguns ensaios clínicos1,2 (CAST
I e II) que a abolição dos eventos arrítmicos ectópicos ventriculares não
beneficia os pacientes, não modifica a história natural das diversas
condições miocárdicas que evoluem com fração de ejeção diminuída, podendo
inclusive em algumas situações especiais apresentar resposta inversa,
aumentando a mortalidade. Estes achados foram muito bem demonstrados com o
uso de algumas drogas antiarrítmicas do grupo I da classificão de Vaugham-Williams
como a encainida, flecainida e morecizina bem como com o d-sotalol3, com
ação exclusiva do tipo classe III (SWORD). Por apresentarem mecanismos
eletrofisiológicos de ação semelhantes, houve uma tendência natural para se
estender a todas as drogas da classe I os resultados observados com as
específicas ensaiadas nos testes duplo-cegos. Estas incluem a quinidina, a
procainamida e disopiramida, a propafenona e o mexiletine.
Em relação a amiodarona, droga paradigma da classe III de Vaugham-William,
os resultados observados nos ensaios clínicos foram de certa forma
discordantes, observado-se benefícios e ausência dos mesmos em estudos
envolvendo populações aparentemente semelhantes e em relação a mortalidade
cardíaca e global 4,5 (GESICA e CHF-STAT). Dois ensaios clínicos envolvendo
um número significativo de pacientes, apresentaram resultados
concordantes 6,7 (CAMIAT e EMIAT) demonstrando que a amiodarona embora não
tenha modificado a mortalidade cardíaca global, poderia reduzir a morte
cardíaca súbita em pacientes com arritmias ventriculares complexas e fração
de ejeção diminuída. Em uma revisão recente de um desses ensaios (EMIAT)
observou-se que essa droga apresentou melhores resultados naqueles pacientes
que apresentavam freqüência cardíaca basal mais elevada (maior efeito
simpático).
Assim, frente aos resultados observados nos diversos ensaios clínicos
envolvendo drogas antiarrítmicas e pacientes com fração de ejeção diminuída,
podemos extrair as seguintes recomendações:
Indicações aceitas:
-
Pela possibilidade do desenvolvimento de efeitos pró-arrítmicos
graves ou fatais não é recomendável o uso de drogas antiarrítmicas da
classe I e o sotalol em pacientes com cardiomiopatias e fração de ejeção
diminuída.
-
Não existem justificativas clínicas concretas para o uso empírico e
profilático de amiodarona na população geral com cardiomiopatias e
fração de ejeção diminuida.
Pacientes que apresentam um perfíl arritmogênico específico, traduzido
pela presença de arritmias ventriculares complexas (respostas pareadas e TV
não sustendada), ação simpática evidente (taquicardia) poderão se beneficiar
com o uso de amiodarona na profilaxia da morte cardíaca súbita.
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