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I Consenso Sobre Manuseio Terapêutico da Insuficiência Cardíaca - SOCERJ
7. Inibidores da Enzima de Conversão
A ativação do sistema neuro-humoral na insuficiência cardíaca , tem sido
a grande marca fisiopatologica desta doença. Hoje com a melhor compreensão
dos fenômenos que envolvem o desenvolvimento e a progressão da doença, temos
como definido que o sistema neuro-humoral exerce um papel fundamental na
manutenção do equilíbrio clinico tanto nas formas iniciais como mais
avançadas da insuficiência cardíaca.Este é alcançado através da interação
harmônica e proporcional entre os variados efeitos fisiopatologicos,dos
diversos sistemas hormonais que compõe o sistema neuro-humoral(
Renina-Angiotensina-Aldosterona;Simpatico;Bradicinina, Prostagladinas e
Prostaciclinas;Vasopressina;Fator Natriurético Atrial;Citoquininas;etc.).
Evolutivamente, temos uma perda progressiva do equilíbrio destes sistemas,em
função de diversos fatores como :1) A desmodulação dos baroreceptores,que
promovem a hiperativação simpática e do sistema renina angiotensina
aoldosterona,2) A ativação exacerbada das citoquininas, em função da
dilatação ventricular e pré-derterminismo genetico;3) A retroativação do
sistema neuro-humoral tecidual , em função do aumento do stress transmural
pela dilatação ventricular;4)A perda progressiva da produção dos fatores
natriureticos atriais em função da dilatação ventricular e hiperativação
simpaticas;5)A redução da resposta miocárdica ao estimulo simpático pôr
descolamento progressivo dos beta receptores. Esta desmodulação
neuro-humoral, induz a distúrbios hemodinamicos como vasoconstrição
exagerada, retenção não adequada de água e sal,e depressão da contratilidade
miocárdica,e alterações de remodelagem cardiaca e vascular com proliferação
da fibrose e colágeno , e redução do numero de fibras miocárdicas pôr
ativação da apoptosi.Onde efeito final se traduz clinicamente com perda da
capacidade funcional, piora do quadro congestivo, e alta mortalidade a curto
prazo, chegando a 50% em dois anos.
Através da compreensão deste eventos fisiopatologicos ,torna-se claro que o
controle e prevenção da desmodulação dos sistemas neuro-humorais, é peça
chave na terapêutica da insuficiência cardíaca.
Esta modulação do sistema neuro-humoral pode ser alcançada de forma parcial
através do uso dos inibidores da enzima de conversão. Este beneficio foi
comprovado através doe estudos do CONSENSUS,SOLVD e V-HeFT II(1;3;4),que
demonstraram uma significativa redução na mortalidade de até 38%.Estes
estudos e vários outros também demonstraram um efeito benéfico da IECA na
melhora da função ventricular, capacidade ao exercicio,redução da
necessidade de internação hospitalar, e redução na progressão da disfunção
ventricular.Estes benefícios clínicos foram demonstrados tanto em pacientes
assintomaticos, como nas formas mais avançadas da doença, o que confirma a
necessidade de se iniciar precocemente o uso da IECA,logo que se tenha
confirmado o diagnostico da insuficiência cardíaca, pôr disfunção sistólica
ventricular.Como demonstrado no estudo SOLVD prevenção(2), em que demonstrou
uma redução de 25% na incidência de evolução para Insuficiência Cardíaca em
pacientes assintomaticos portadores de disfunção ventricular.Estes
beneficios são demonstrados em todas as formas etiopatogênicas de
Cardiomiopatia Dilatada e de forma bem marcada nas de origem isquêmica.(5;6;7;9;10;11)
Para alcançarmos os mesmos benefícios demonstrados nos grandes estudos,é
necessário que utilizemos da mesma posologia usada nestes estudos, onde se
preconiza tentar alcançar a dose máxima de IECA tolerada pelo paciente,sem o
desenvolvimento de paraefeitos, para que alcancemos o máximo efeito de
modulação do sistema neuro-humoral, independente se o paciente já tenha se
tornado clinicamente estavel,com doses menores. Este beneficio foi
demonstrado no estudo ATLAS, onde doses maximizadas de Lisinopril,
determinaram uma menor incidenciea de internação hospitalar,tempo de
hospitalização, e melhor qualidade de vida(6;12).
Na escolha da IECA a ser utilizada, temos que todas tem efeito semelhante
quanto ao beneficio terapêutico, com pequenas diferenças quanto ao
desenvolvimento de paraefeitos.Observar a interação com alimentos, que
ocorre com captopril, ocasionando perda de até 50% de seu efeito, diferente
do enalapril que não sofre influência do conteudo gastrico.Uma vez iniciada
a terapêutica com a IECA, a droga deve ser mantida em uso permanente, exceto
nos casos de regressão da disfunção ventricular, como pode ocorrer nas
miocardites.
INDICAÇÕES:
Indicações aceitas:
Em todos os pacientes portadores de Insuficiência Cardíaca pôr disfunção
sistólica ventricular esquerda, de qualquer etiopatogenia, independente da
classe funcional.
-
Iniciar imediatamente após o
estabelecimento do diagnostico.
-
Manter o uso enquanto permanecer a
disfunção sistólica.
-
Iniciar com baixas doses, via oral : 6.25mg
de captopril de 8-8 h, ou enalapril 2,5 mg 12-12h,etc.
-
Realizar o ajuste posológico deacordo com a
meia vida farmacoterapêutica da droga.
-
Maximizar a posologia, até o
desenvolvimento de paraefeitos:
| |
Dose inicial |
Dose alvo |
Dose Máxima |
| Captopril |
6,25mg 8/8h |
50mg 8/8h |
100mg 8/8h |
| Enalapril |
2,5mg 12/12h |
10mg 12/12h |
20mg 12/12h |
| Lisinopril |
2,5mg 12/12h |
10mg 12/12h |
20mg 12/12h |
| Cilazapril |
2,5mg 24/24h |
5mg 24/24h |
10mg 24/24h |
| Ramipril |
2,5mg 24/24h |
5mg 12/12h |
10mg 12/12h |
| Trandolapril |
2mg 24/24h |
4mg 24/24h |
6mg 24/24h |
Indicações controversas:
-
Em todos os pacientes portadores de Insuficiência Cardíaca pôr
disfunção sistólica ventricular esquerda, independente da classe
funcional, na presença de Insuficiência Renal Crônica, que não evidencie
o agravamento da disfunção renal após o inicio do uso da IECA.
-
Evitar a associação com aspirina, dando preferencia a outros
antiagregantes, Ticlopidina ou Clopidogrel.
Contra-indicações:
-
Presença de Estenose Aortica de grau moderado a grave, associada a
disfunção sistólica ventricular.
-
Presença de estenose bilateral da artéria renal.
-
Presença de Insuficiência renal aguda, prévia ou que venha se
desenvolver após o inicio do uso da IECA.
-
Presença de hiperpotassemia prévia,ou que se desenvolva após o
inicio do uso da IECA.
-
Presença de hipovolemia.
-
Na presença de pressão arterial sistólica inferior a 80 mmhg.
-
Presença de tosse,de inicio após o uso da IECA, na qual não se
evidencie outro fator causal.
-
Desenvolvimento de reação alérgica a IECA.
-
Evitar reposição de potássio de forma regular associado ao uso da
IECA.
-
Usar de forma criteriosa drogas de promovem retenção de potássio,
associado a IECA.
-
Uso venoso da IECA na fase aguda do Infarto Agudo do Miocardio.
-
Na presença de condição clinica infecciosa, com manifestações
sistêmicas de comprometimento orgânico, ou com hipertermia associada (
Temperatura axilar > 38 C.)
-
Gravidez.
REFERÊNCIAS:
-
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