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I Consenso Sobre Manuseio Terapêutico da Insuficiência Cardíaca - SOCERJ
16. Insuficiência Cardíaca Aguda
CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES
O edema agudo de pulmão cardiogênico, o choque cardiogênico e a
descompensação aguda de insuficiência cardíaca crônica são as principais
apresentações clínicas da insuficiência cardíaca aguda.
As metas terapêuticas na abordagem de tais condições devem ser direcionadas
basicamente para a manutenção de adequado débito cardíaco afim de preservar
a perfusão de orgãos vitais e para o alívio da congestão pulmonar e
sistêmica. Também deve-se objetivar uma relação favorável entre oferta e
demanda miocárdica de oxigênio.
A insuficiência cardíaca aguda, em função da alta mortalidade,
principalmente no choque cardiogênico, requer abordagem rápida e enérgica no
sentido de esclarecimento diagnóstico, estabilização hemodinâmica e
tratamento de condições passíveis de correção.
Distúrbios respiratórios e hemodinâmicos ameaçadores da vida de outras
etiologias, como por exemplo o edema pulmonar não cardiogênico e o choque
séptico devem ser considerados no diagnóstico diferencial.
a- Medidas de ordem geral
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Certificação de via aérea patente, administração de oxigênio e
correção de acidose respiratória. Considerar suporte mecânico
ventilatório não invasivo (CPAP ou BIPAP através de máscara facial ou
nasal) e não retardar instituição de via aérea artificial (entubação
endotraqueal) e suporte mecânico ventilatório invasivo em pacientes com
hipoxemia crítica ou refratária.
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Identificação de fatores precipitantes ou perpetuadores da
descompensação hemodinâmica passíveis de correção ou controle (distúrbios
eletrolíticos, distúrbios do equilíbrio acido-base, anemia, infecção,
doenças da tireóide).
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Reversão dos efeitos de drogas depressoras da função ventricular com
suspensão das mesmas e eventualmente com uso de antídotos farmacológicos.
Atenção para toxicidade pelo digital.
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Cardioversão sincronizada imediata quando a descompensação
hemodinâmica for atribuída à taquiarritmia. Estimulação cardíaca
artificial externa (marcapasso transcutâneo e/ou transvenoso) e/ou uso
de atropina quando a descompensação hemodinâmica for atribuída à
bradiarritmia.
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Utilização de morfina em pacientes com edema agudo de pulmão
cardiogênico (benefício por diminuição do esforço e do trabalho
respiratório, vasodilatação venosa e arteriolar) com atenção para a
possibilidade de depressão respiratória (particularmente em idosos, em
portadores de doença pulmonar crônica e em casos de hipercapnia).
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Considerar utilização de xantinas e/ou de agonistas adrenérgicos
b2 em casos com broncoespasmo importante (evitar ou usar com cautela em
pacientes idosos e naqueles com arritmias).
b-Considerar monitorização com o cateter de Swan-Ganz
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No choque cardiogênico que não responde imediatamente à reposição
volêmica.
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No edema agudo de pulmão sem resposta adequada às intervenções
terapêuticas.
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No edema agudo de pulmão com hipotensão no curso do tratamento.
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Na descompensação aguda da insuficiência cardíaca crônica sem
resposta adequada às intervenções terapêuticas.
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Na dúvida entre edema pulmonar cardiogênico e não cardiogênico.
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Para auxílio no esclarecimento diagnóstico das hipóteses de doenças
cardíacas estruturais.
c-Otimização da pré-carga e da pós-carga
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Posicionamento do paciente com elevação da cabeceira do leito no
edema agudo de pulmão.
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Embora no edema agudo de pulmão a utilização de torniquetes nos
membros, para redução do retorno venoso, atualmente não seja
freqüentemente necessária, esta técnica pode ser empregada em condições
de emergência quando por algum motivo houver retardo na instituição de
intervenções farmacológicas.
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Utilização de furosemida por via intravenosa e de nitratos por via
sublingual ou em infusão venosa contínua para redução da pré-carga em
pacientes com evidências de congestão pulmonar.
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Nitratos são os agentes de escolha nos distúrbios isquêmicos e
também são efetivos quando o distúrbio hemodinâmico não for decorrente
de isquêmia miocárdica.
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Nitratos em doses mais elevadas também reduzem a pós-carga.
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Deve-se ter cautela com medidas para redução da pré-carga na
insuficiência cardíaca aguda pois, diferentemente da insuficiência
cardíaca crônica que cursa com retenção de sódio e água, muitas vezes os
pacientes não se encontram hipervolêmicos e a redução inadequada da
pré-carga pode ser seguida de redução da pressão arterial e do débito
cardíaco.
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Procedimentos dialíticos e/ou de ultrafiltração podem ser
necessários para o alívio da congestão pulmonar em pacientes com
comprometimento da função renal.
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O nitroprussiato de sódio promove redução da pré-carga e da
pós-carga e deve ser considerado nos pacientes que não respondem ao
tratamento com nitratos, naqueles com edema agudo atribuído à
regurgitação aórtica ou mitral, no edema agudo como emergência
hipertensiva, quando houver evidências de acentuado aumento da
resistência vascular sistêmica, como terapia combinada com agentes
inotrópicos ou vasopressores.
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Tanto maior é o benefício com a redução da pós-carga quanto maior
for o comprometimento da função sistólica ventricular.
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Evitar ou empregar com cautela nitratos e nitroprussiato de sódio
quando a pressão arterial sistólica for menor que 100 mmHg.
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No choque cardiogênico e em pacientes hipotensos sempre considerar a
infusão de volume caso não haja evidências nítidas de congestão pulmonar.
d-Suporte farmacológico com inotrópicos e vasopressores
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Considerar no edema agudo de pulmão o uso de dobutamina em casos sem
resposta satisfatória com medidas para redução de pré-carga e de
pós-carga, naqueles que desenvolvem hipotensão com o diuréticos e
vasodilatadores e nos pacientes sabidamente com comprometimento da
função sistólica.
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Considerar o uso de milrinona associado ou não ao uso de dobutamina.
Alguns autores reservam o emprego da milrinona após resposta
insatisfatória ao uso de dobutamina.
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Pacientes hipotensos podem ser inicialmente abordados com dobutamina
se não houver evidências clínicas importantes de hipoperfusão e com
dopamina caso essas evidências sejam presentes.
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A abordagem terapêutica inicial de pacientes com hipotensão crítica
deve ser com noradrenalina ou com doses elevadas de dopamina.
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A prevenção do desenvolvimento de disfunção renal e a melhora da
função, caso a disfunção já esteja presente, com baixas doses de
dopamina são controversas.
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Embora venha mais recentemente sendo menos utilizado na
insuficiência cardíaca aguda, o digital pode eventualmente ser empregado
em pacientes com arritmias supraventriculares (particularmente na
fibrilação atrial com resposta ventricular elevada) e naqueles que já
vinham em uso deste fármaco.
e-Considerar suporte mecânico circulatório (contrapulsação intra-aórtica)
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Na insuficiência cardíaca aguda com resposta terapêutica
insatisfatória (otimização da pré-carga e da pós-carga e emprego de
inotrópicos e vasopressores) e com condições patológicas de base
passíveis de reversão.
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Para realização de cateterismo cardíaco/cineangiocoronariografia e
intervenção de revascularização definitiva em pacientes com
insuficiência cardíaca aguda acompanhada de isquemia miocárdica.
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Na estabilização para diagnóstico e terapêutica cirúrgica da
insuficiência cardíaca aguda decorrente de significativa regurgitação
mitral ou rotura do septo ventricular.
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Na estabilização da insuficiência cardíaca crônica agudizada de
pacientes canditados a transplante cardíaco ou outras intervenções
cirúrgicas.
f-Condições Especiais:
Descompensação aguda de insuficiência cardíaca crônica
Disfunção ventricular esquerda grave no infarto agudo do miocárdio
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Considerar contrapulsação intra-aórtica, cateterismo cardíaco/cineangiocoronariografia,
angioplastia coronária ou revascularização miocárdica cirúrgica em
pacientes com grave disfunção ventricular esquerda complicando o infarto
agudo do miocárdio.
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Talvez haja benefício de contrapulsação intra-aórtica em pacientes
com infarto agudo do miocárdio complicado com choque cardiogênico e
submetidos a terapia trombolítica em ambiente hospitalar sem condições
logísticas favoráveis para angioplastia.
Insuficiência cardíaca aguda e condições passíveis de abordagem
cirúrgica
Infarto do ventrículo direito com repercussões hemodinâmicas
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Otimização da pré-carga do ventrículo direito com infusão de volume
com solução salina isotônia e com utilização muito criteriosa de
nitratos e diuréticos.
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Se necessária estimulação cardíaca artificial externa tentar
marcapasso temporário seqüencial AV.
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Suporte inotrópico com dobutamina se houver resposta insatisfatória
com infusão de solução salina
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Considerar nitroprussiato de sódio e contrapulsação intra-aórtica
para redução da pós-carga do ventrículo direito em casos com disfunção
ventricular esquerda concomitante.
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Considerar trombolíticos, angioplastia e revascularização miocárdica
cirúrgica.
Insuficiência cardíaca aguda refratária
Considerar cateterismo cardíaco/cineangiocoronariografia na insificiência
cardíaca aguda refratária quando houver a possibilidade de ocorrência de
doença arterial coronária em pacientes que sejam candidatos a
revascularização.
Embolia pulmonar
Considerar terapia trombolítica nos primeiros 14 dias do evento quando
houver evidências de disfunção ventricular direita.
g- Desempenho ventricular e pressão de enchimento nas intervenções
farmacológicas na insuficiência cardíaca aguda |