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I Consenso Sobre Manuseio Terapêutico da Insuficiência Cardíaca - SOCERJ
15. Insuficiência Cardíaca Distólica
Tipo de insuficiência que apresentam aspectos fisiopatológicos e
terapêuticos que a diferenciam, devendo serem conhecidos a fim de poderem
ser utilizados nos pacientes com este acometimento.1-3
Pode ser devido a disfunção primária (hipertensão arterial, doença arterial
coronária, cardiomiopatias hipertrófica, restritiva e infiltrativa, estenose
aórtica e cardiopatia do idoso) e secundária (insuficiência aórtica,
insuficiência e estenose mitral, pericardite constritiva, derrame
pericárdico e tamponamento cardíaco). Qualquer das causas acarretam a
disfunção diastólica por múltiplos mecanismos (isolados ou em associação);
como: alteração do relaxamento miocárdico com comprometimento da fase
inicial do enchimento ventricular, alterações da distensibilidade e/ou da
homeostase do cálcio, com comprometimento da função diastólica em diferentes
níveis.1-4
Encontramos alteração do enchimento ventricular, que não se faz de maneira
adequada com pressões normais: pequenas variações de volume levam a
excessivo aumento das pressões diastólicas ventriculares com repercussão ao
território pulmonar. A fibrose, a hipertrofia miocárdica, a isquemia e o
aumento da pós-carga, são fatores que contribuem para o aparecimento da
disfunção diastólica. 1-4
Sua freqüência está ao redor de 40% entre os pacientes com IC (IC
sintomática com função sistólica normal); em 50% dos idosos é a sua causa da
IC e os pacientes com IC sistólica também apresentam acometimento diastólico.
1-4
Sua mortalidade é de 46% em 7 anos 5, tendo sido visto que no estudo VeHFT I
(realizado quase que exclusivamente com população masculina) a IC sistólica
tinha mortalidade de 15 a 20% enquanto a IC diastólica de 8%.6
Tratamento baseado na tabela 3, onde poderemos encontrar o mecanismo
utilizado como terapêutico na IC Diastólica.
Um dos aspectos fundamentais no tratamento da IC diastólica é assegurar
tempo adequado para a diástole, devendo a freqüência cardíaca ser mantida em
nível inferior a 70 bpm., sendo os bloqueador b adrenérgicos e os
antagonista canais do cálcio os mais empregado para a obtenção deste efeito.
Os princípios básicos neste tipo de disfunção cardíaca são: reduzir os
sintomas, controlar a pressão arterial revertendo a hipertrofia ventricular
esquerda e prevenindo ou tratando a isquemia miocárdica.1-6
Considerações dos medicamentos utilizados no tratamento da IC Diastólica:
a. Diuréticos: furosemida, de eleição no tratamento do EAP; pode ser
perigoso nos casos onde acarreta súbita e intensa diminuição do retorno
venoso ou em excesso, ocasionando baixo débito. Após redução da congestão
devemos diminuir o seu uso ou empregarmos os tiazídicos (menor perda de
volume).
b. Digital: não deve ser prescrito, exceto para controlar a
freqüência cardíaca na fibrilação atrial.
c. Antiarrítmicos: a contração atrial contribui na IC diastólica com
25 a 30% ou mais do volume ventricular. A fibrilação atrial poderá ocasionar
EAP. Para a cardioversão química usamos: amiodarona ou propranolol. Não
revertendo empregamos a cardioversão elétrica.
d. Bloqueador b adrenérgicos: reduz consumo de O2, tem efeito
antisquêmico, controla a pressão arterial e atua na reversão da hipertrofia
miocárdica, além de reduz a freqüência cardíaca.
e. IECA: diminui concentração de angiotensina II e da aldosterona,
reduz a pressão arterial, a fibrose e a hipertrofia ventricular, melhorando
o relaxamento, além de atenuar o efeito vasoconstritor da angiotensina II ao
nível das artérias coronárias, melhorando a nutrição do coração, ficando sua
indicação mais restrita aos com hipertensão arterial e com estenose aórtica.
f. Antagonistas do cálcio: diminuem a pressão arterial, atuam na
regressão da hipertrofia ventricular, reduzem a concentração do cálcio e a
isquemia miocárdica.
g. Espironolactona: inibe a proliferação e fibrose miocárdica.
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Tabela 3
- IC Diastólica: Princípios do Tratamento |
1. Diminuir a pressão de
enchimento ventricular
- Diuréticos, Nitratos e IECA
2. Manter tempo de enchimento ventricular
adequado
- Diminuindo a freqüência cardíaca
bloqueador β adrenérgico; antagosnista canais de cálcio (diltiazen/verapamil)
- Manter o ritimo sinusal
Amiodarona; Conversão química ou elétrica
3. Melhorar o relaxamento ventricular
- bloqueador β adrenérgico; IECA
4. Diminuir proliferação miocárdica
- bloqueador β adrenérgico, IECA e Espironolactona
5. Diminuir esquemia
- Nitratos,- bloqueador β adrenérgico e Antagonita Canais de Cálcio.
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REFERÊNCIAS:
-
Albanesi F.º FM – Disfunção diastólica In: Insuficiência Cardíaca,
Pereira Barretto AC, Albanesi F.º FM. ABC Artes Gráficas, São Paulo,
1996 : 45-59.
-
O` Keeffe ST, Lye MDW – Heart failure in elderly: the same syndrome
as the clinical trials ? In McMurray JJV, Cleland JGF, Heart failure in
clinical practice. United Kingdom , Mosby, 1996 : 47-71.
-
Gibson D – Diastolic heart failure In :Poole Wilson PA, Colucci WS,
Massie BM, Chatterjee K, Coats AJS (edited) Heart Failure, Churchill
Livingstone Inc. ,New York, 1997 :339-363.
-
Massie BM, Yamani MH – Chronic heart failure : diagnosis and
management In : Poole Wilson PA, Colucci WS, Massie BM, Chatterjee K,
Coats AJS (edited) Heart Failure Churchill Livingstone Inc., New York
,1997 :551-566.
-
Setaro JF, Soufer R, Remetz MJ et al. – Long –term outcome in
patients with congestive heart failure and intact systolic left
ventricular performance. Am J Cardiol 1992;69:1212-16.
-
Cohn J , Johnson G – Heart failure with normal ejection fraction :
The VeHFT study. Circulation 1990;81:48-53.

Algoritmo baseado no "Concise Guide to Management of
Heart Failure", desnvolvido pela Organiazação Mundial da Saúde e pelo
Conselho de Cardiologia Geriatrica _ Task Force on Heart Failure
Education - janeiro de 1997. |