|
Resumo das indicações de exames e procedimentos em lesões orovalvares
mitrais e aórticas publicados pela American Heart Associarion e American
College of Cardiology no Circulation
Insuficiência Aórtica Aguda
Pacientes freqüentemente apresentam-se c/ edema pulmonar e/ou choque
cardiogênico.
Os achados ao exame físico característicos da insuficiência aórtica
geralmente estão ausentes, podendo levar a subestimação da gravidade da
lesão.
O ECO é essencial p/ confirmar o diagnóstico, avaliar a gravidade e
determinar a etiologia além de avaliar se há rápido equilíbrio entre a
pressão diastólica da aorta e do VE. Evidências de rápido equilíbrio de
pressões incluem:
-
"Pressure half time" (PHT) do jato de insuficiência aórtica < 300 ms
-
Tempo de desaceleração do fluxo mitral <150 ms
-
Fechamento prematuro da VM
Eco transesofágico (ETE) é indicado na suspeita de dissecção aórtica. Se
o diagnóstico permanece incerto deve-se realizar CAT.
Tratamento:
-
Cirurgia precoce sempre indicada
-
Nitroprussiato, dopa ou dobuta podem ser úteis p/ tratar o pacientes
temporariamente antes da cirurgia
-
Apesar dos b -bloqueadores. serem freqüentemente utilizados na
dissecção aórtica aguda, devem ser usados c/ cautela na insuficiência
aórtica aguda porque bloqueiam a taquicardia reflexa compensatória
-
Balão intra-aórtico (BIA) é contra-indicado
Insuficiência Aórtica Crônica
Há uma combinada sobrecarga de volume e pressão c/ conseqüente HVE
compensatória que permite ao VE manter uma FE adequada apesar da elevada
pós-carga. A maioria dos pacientes permanece assintomática durante esta fase
compensatória que pode durar décadas. Entretanto este balanço não pode ser
mantido indefinidamente e acaba ocorrendo depressão da contratilidade e
redução da FE inicialmente ainda dentro da variação normal e depois abaixo
do normal. Esta transição pode ser sintomática (dispnéia) ou não e os
pacientes podem permanecer assintomáticos até que grave disfunção de VE
tenha se desenvolvido.
Disfunção sistólica de VE (definida como FE < 50%) é inicialmente um
fenômeno reversível, predominantemente relacionado ao excesso de pós-carga,
permitindo a recuperação da dimensão e função do VE c/ a troca valvar. Com o
tempo a depressão da contratilidade miocárdica predomina sobre o excesso de
pós-carga como causa da progressiva disfunção sistólica.
História natural:
1. Pacientes assintomáticos c/ função sistólica de VE normal:
-
o índice de progressão p/ sintomas ou disfunção sistólica de VE é em
média 4,35 ao ano
-
o índice médio de mortalidade é de < 0,2 % ao ano
-
o índice de desenvolvimento de função sistólica deprimida no repouso
sem sintomas durante uma média de 5.9 anos é de 1,3% ao ano.
1. Pacientes assintomáticos c/ função sistólica de VE deprimida:
1. Pacientes sintomáticos:
Recomendações p/ realização de ecocardiograma em
com insuficiência aórtica crônica:
|
Indicações Classe |
| 1. Confirmar a presença e a gravidade da
insuficiência aórtica aguda. |
I |
| 2. Diagnosticar a insuficiência aórtica crônica em
pacientes com achados ao exame físico equívocos. |
I |
| 3. Avaliar a etiologia da da insuficiência aórtica
(incluindo a morfologia e área do anel aórtico). |
I |
| 4. Acompanhar a HVE, dimensão e função sistólica
do VE. |
I |
| 5. Estimar semiquantitativamente a gravidade da
insuficiência aórtica. |
I |
| 6. Reavaliar os pacientes com insuficiência
aórtica leve, moderada ou grave com modificações ou novos sintomas.
|
I |
| 7. Reavaliação da dimensão e função do VE em
pacientes assintomáticos com insuficiência aórtica grave. |
I |
| 8. Reavaliar dos pacientes assintomáticos com
insuficiência aórtica leve, moderada ou grave e anel aórtico
alargado. |
I |
| 9.Reavaliação anual de pacientes assintimáticos
com insuficiência aórtica leve a moderada comexame físico estável e
normal e dimensões do VE próximo ao normal. |
III |
Recomendações p/ realização de ergometria em
insuficiência aórtica crônica:
|
Indicação |
Classe |
| 1 . Acompanhamento da capacidade funcional e
surgimento de sintomas em pts c/ história de sintomas equívocos. |
I |
| 2. Avaliação de sintomas e capacidade funcional
antes da participação de atividades atléticas. |
II a |
| 3. Avaliação prognóstica antes da troca valvar
aórtica em pacientes com disfunção de VE. |
II a |
| 4. Avaliação hemodinâmica ao exercício para
determinar os efeitos da Ins.aortica na função de VE. |
II b |
| 5.Angiografia com radionuclídeos durante o
exercício para avaliar a função de VE em pacientes assintomáticos ou
sintomáticos. |
II b |
| 6. Ecocardiografia de esforço ou com dobutamina
para avaliar a função de VE em pacientes assintomáticos ou
sintomáticos. |
III |
Recomendações p/ angiografia por radionuclídeos em Insuficência aórtica*:
|
Indicação |
Classe |
| 1. Acompanhamento inicial e seriado do volume e
função do VE em repouso naqueles pts onde a imagem ecocardiográfica
é subótima ou os dados ecocardiográficos são duvidosos. |
I |
| 2. Acompanhamento do volume e função do VE em
repouso em pts assintomáticos c/ moderada a grave Ins. aortica
quando há evidências ecocardiográficas sugestivas de declínio da
função de VE. |
I |
| 3. Confirmação da FEVE antes de recomendar
cirurgia em pts assintomáticos c/ evidências ecocardiográficas de
disfunção limítroFEVE. |
I |
| 4. Acompanhamento do volume e função do VE em pts
c/ Ins. aortica moderada a grave diante de dados clínicos e
ecocardiográficos discordantes. |
I |
| 5. Avaliação rotineira da fração de ejeção ao
exercício. |
II b |
| 6. Quantificação da Ins. aortica em pacientes com
ecocardiogramas insatisfatórios. |
II b |
| 7. Quantificação da Ins. aortica em pacientes com
ecocardiogramas satisfatórios. |
III |
| 8. Acompanhamento inicial e seriado do volume e
função de VE em repouso em adição a ecocardiografia . |
III |
* = em centros c/ experiência em RNM esta pode ser usada no lugar da
angiografia por radionuclídeos
Em pt assintomáticos , ativos e c/ imagem ecocardiográfica de boa qualidade
não se faz necessário qualquer outro exame.
Se o pt tem Ins. aortica grave, sedentário ou tem sintomas equívocos, o
teste ergométrico é útil p/ avaliar a capacidade funcional.
Se o ECO é de qualidade insuficiente p/ avaliar a função de VE, angiografia
c/ radionuclídeo deve ser usada em pts assintomáticos p/ avaliar a FE e os
volumes do VE em repouso; já quando o pt é sintomático é razoável se
proceder diretamente ao CAT se o ECO é de qualidade insuficiente p/ avaliar
a função de VE ou gravidade da Ins. aortica.
O ECO de estresse não está indicado p/ avaliar FE em presença de Ins.
aortica já que esta é sempre anormal e seu valor prognóstico não foi provado.
Pt assintomáticos c/ função sistólica de VE normal podem participar de todas
as formas de atividade física diária e em alguns casos de atividades de
competição atlética. Exercícios isométricos devem ser evitados.
Tratamento clínico:
-
Os vasodilatadores melhoram o volume sistólico e diminuem o vol.
regurgitante resultando em preservação da função sistólica; estes
efeitos tem sido demonstrados c/ hidralazina e nifedipina e resultados
menos consistentes têm sido reportados c/ IECA. Em 6 anos a nifedipina
de longa ação reduziu a necessidade de troca valvar de 34% p/ 15%.
-
O objetivo da terapia vasodilatadora é de reduzir a pressão
sistólica; sua dosagem deve ser aumentada até que um decréscimo
significativo da PAS tenha ocorrido ou que o pt desenvolva efeitos
colaterais mas raramente será possível diminuí-la a níveis considerados
normais em função do aumento do vol. sistólico.
-
O benefício da terapia vasodilatadora é desconhecido em pt c/ PAS
normal e/ou dimensões de VE normais.
Recomendações p/ terapia vasodilatadora p/ Ins. aortica crônica:
|
Indicação |
Classe |
| 1. Ins. aortica grave sintomática e/ou c/ disf.
de VE quando a cirurgia não é recomendada em decorrência de
fatores cardíacos ou não cardíacos adicionais. |
I |
| 2. Terapia a longo prazo em pts assintomáticos
c/ Ins. aortica grave que tenham dilatação de VE mas função
sistólica normal. |
I |
| 3. Terapia a longo prazo em pts assint c/ HAS
e qualquer grau de Ins. aortica. |
I |
| 4. Terapia a longo prazo c/ IECA em pts c/
persistente disf. de VE após a troca valva. |
I |
| 5. Terapia a curto prazo p/ melhorar o perfil
hemodinâmico de pts c/ graves sintomas de ICC e grave disf. de
VE antes de proceder a troca valvar. |
I |
| 6. Como terapia a longo prazo em pts assint c/
leve a mod. Ins. aortica e função sist. de VE normal na ausência
de HAS. |
III |
| 7. Como terapia a longo prazo em pts assint c/
disf. de VE candidatos a troca valvar. |
III |
| 8. Como terapia a longo prazo em pts
sintomáticos c/ função sist. de VE normal ou leve a mod. disf.
sist. de VE candidatos a troca valvar. |
III |
Freqüência de reavaliações e exames:
-
pts assint. c/ Ins. aortica leve pouca ou nenhuma dilatação de VE e
função sist. de VE normal = consultas anuais e ECO a cada 2 – 3 anos. Os
pts devem ser instruídos a procurar o médico caso desenvolvam sintomas
neste intervalo e o ECO deve ser solicitado se houver suspeita de piora
da Ins. aortica.
-
pt c/ Ins. aortica grave, assint., c/ função sist. de VE normal e c/
significativa dilatação de VE ( Ved > 6,0 mm ) = consultas a cada 6
meses e ECO a cada 6 –12 meses.
-
avançada dilatação de VE ( Ved > 7,0 mm e Ves > 5,0 mm ) = ECO a
cada 4 – 6 meses, já que o risco de desenvolver sintomas ou disf. de VE
é de 10 a 20 % ao ano
Recomendações p/ CAT na Ins. aortica crônica
|
Indicações |
Classe |
| 1. Antes da troca valvar em pts c/ risco de
DAC . |
I |
| 2. Avaliação da gravidade da Ins. aortica
quando testes não invasivos são inconclusivos ou discordantes c/
os achados clínicos em relação a gravidade da Ins. aortica ou
necessidade de cirurgia. |
I |
| 3. Avaliação da função de VE quando testes não
invasivos são inconclusivos ou discordantes c/ os achados
clínicos em relação à disf. de VE e necessidade de cirurgia em
pt c/ Ins. aortica grave. |
I |
Em pt c/ Ins. aortica pura crônica a troca valvar deve ser
considerada somente se a Ins. aortica é grave. Pts c/ Ins. aortica
apenas leve não são candidatos a troca valvar e se apresentam sintomas
de IVE outras causas devem ser consideradas como DAC, HAS ou
cardiomiopatia.
Indicações p/ troca valvar aórtica em Ins. aortica grave
|
Indicação |
Classe |
| 1. Pts sintomáticos c/ classe funcional NYHA III
ou IV e função sistólica de VE preservada definida como FE normal ao
repouso (> 50%). |
I |
| 2. Pts sintomáticos c/ classe funcional da NYHA II
e função sistólica de VE preservada (FEVE em repouso > 50%) mas c/
progressiva dilatação do VE ou declínio da FE em repouso em estudos
seriados ou declínio da tolerância ao esforço ao teste ergométrico. |
I |
| 3. Pts sintomáticos c/ angina classe funcional CCS
II ou maior c/ ou s/ DAC. |
I |
| 4. Pts sintomáticos ou assintomáticos c/ leve a
moderada disf. de VE em repouso (FE 25 a 49%). |
I |
| 5. Pts que irão ser submetidos a cirurgia p/ DAC
ou de aorta ou de outras valvas cardíacas. |
I |
| 6. Pts sintomáticos c/ classe funcional NYHA II e
função sistólica de VE preservada (FEVE em repouso > 50% ) c/
dimensão de VE estável assim como função sistólica e tolerância ao
exercício. |
II a |
| 7. Pts assintomáticos c/ função sistólica de VE
preservada (FEVE em repouso > 50%) mas c/ grave dilatação de VE (Ved
> 75 mm ou Ves > 55 mm ) – considerar valores menores em pt de baixa
estatura. * |
II a |
| 8. Pt c/ grave disfunção de VE (FE < 25%) . Apesar
do alto risco o tratamento cirúrgico parece superior ao tratamento
clínico. |
II b |
| 9. Pts assintomáticos c/ função sistólica de VE
preservada (FEVE em repouso > 50%) e progressiva dilatação do VE em
repouso quando o grau de dilatação é moderadamente grave (Ved > 70 –
75 mm, Ves 50 – 55 mm). |
II b |
| Pts assintomáticos c/ função sistólica de VE
preservada em repouso (FEVE > 50%) mas com declínio da FE durante:
Angiografia por radionuclídeos ao exercício
Ecocardiografia de estresse
|
II b
III |
| 10. Pt assintomáticos c/ função sistólica de VE
preservada em repouso (FEVE > 50%) e dilatação de VE quando o grau
de dilatação não é grave (Ved. < 70 mm e Ves < 50 mm) |
III |
* Estes pts parecem ter uma incidência aumentada de morte súbita.
Doença concomitante da aorta:
Em geral, a troca valvar e a reconstrução aórtica estão indicadas em pts c/
doença da aorta proximal e Ins. aortica de qualquer grau de gravidade quando
a dilatação da aorta é >5,0 mm pelo ECO.
Avaliação dos pt após a troca valvar aórtica:
Nas primeiras semanas após a cirurgia, há pouca modificação na função
sistólica do VE e a FE pode deteriorar, comparativamente aos valores
pré-operatórios.
O melhor preditor da função sistólica subsequente é a redução do Ved, que
diminui significativamente dentro da primeira ou segunda semana de cirurgia.
A magnitude da redução precoce do Ved após a cirurgia se correlaciona c/ a
magnitude do aumento tardio da FE. |