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Resumo das indicações de exames e procedimentos em lesões orovalvares
mitrais e aórticas publicados pela American Heart Associarion e American
College of Cardiology no Circulation
Estenose Mitral
A área valvar mitral normal é de 4 a 5 cm² . É necessário que a área
valvar seja menor que 2,5 cm² para que surjam sintomas. Área valvar maior
que 1,5 cm² usualmente não produz sintomas em repouso mas podem ocorrer com
o exercício, estresse emocional, infecção, gravidez ou fibrilação atrial com
alta resposta ventricular.
História natural
Geralmente há um longo período latente desde a ocorrência da febre reumática
até o inicio dos sintomas (20 a 40 anos). Uma vez desenvolvida a
sintomatologia, transcorre cerca de uma década até que os sintomas se tornem
incapacitantes.
A sobrevida depende doa sintomatologia de apresentação: se minimamente
sintomático a sobrevida é de 80% em 10 anos, com 60% dos pacientes evoluindo
sem progressão dos sintomas. Á partir do momento em que surgem sintomas
limitantes a sobrevida em 10 anos cai para 0 a 15% e em caso de hipertensão
pulmonar a sobrevida é menor que 3 anos.
A mortalidade de pacientes não tratados decorre de ICC em 60 a 70%, embolia
sistêmica em 20 a 30%, embolia pulmonar em 10% e infecção em 1 a 5%.
Avaliação e acompanhamento
O exame de escolha para o acompanhamento de pacientes com estenose mitral é
a ecocardiografia, que pode fornecer informações a respeito da morfologia da
valva, área valvar, pressão sistólica de artéria pulmonar, avaliar disfunção
de outras valvas assim como as dimensões e função das cavidades cardíacas.
Recomendações para a realização de ecocardiografia
na estenose mitral:
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Indicação |
Classe |
| 1. Diagnóstico, acompanhamento da gravidade
hemodinâmica (gradiente médio, área valvar mitral, pressão de
artéria pulmonar) e acompanhamento da área e função de VD. |
I |
| 2 . Acompanhamento da morfologia valvar para
determinar se é possível a realização de valvuloplastia percutânea
por balão. |
I |
| 3. Diagnóstico e acompanhamento de lesões valvares
concomitantes. |
I |
| 4. Reavaliação de pacientes com estenose mitral
conhecida e com modificações em seus sinais e sintomas. |
I |
| 5. Avaliação da resposta hemodinâmica do gradiente
médio e da pressão de artéria pulmonar pela ecocardiografia com
doppler e exercício em pacientes nos quais há discrepância entre os
dados hemodinâmicos de repouso e os achados clínicos. |
II a |
| 6. Reavaliação de pacientes assintomáticos com
estenose mitral moderada a grave para avaliar pressão de atéria
pulmonar. |
II b |
| 7. Reavaliação rotineira de pacientes
assintomáticos com estenose mitral leve e clinicamente estável.
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III |
Recomendações para realização de ecocardiografia
transesofágica na estenose mitral:
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Indicação |
Classe |
| 1. Avaliar a presença ou ausência de trombo atrial
esquerdo em pacientes que serão submetidos a valvuloplastia
percutânea por balão. |
II a |
| 2. Avaliação da morfologia valvar mitral e
hemodinâmica quando o ecocardiograma transtorácico é subótimo. |
II a |
| 3. Avaliação rotineira da morfologia valvar mitral
e hemodinâmica quando o ecocardiograma transtorácico é satisfatório. |
III |
Em pacientes assintomáticos com estenose mitral leve (área valvar > 1,5
cm² e gradiente médio < 5 mmHg) nenhuma avaliação adicional é necessária já
que permanecem estáveis por muitos anos. Pacientes assintomáticos com
estenose mitral mais significativa merecem avaliação adicional se a
morfologia valvar é compatível com valvuloplastia percutânea por balão. Em
caso de moderada hipertensão pulmonar (pressão sistólica de artéria pulmonar
>50 mmHg) e valva passível de valvuloplastia, este procedimento deve ser
considerado .Em pacientes de estilo de vida sedentário, um eco-doppler
associado a exercício físico é útil; em caso de aumento do gradiente
transmitral > 15 mmHg e pressão sistólica de artéria pulmonar > 60 mmHg a
valvuloplastia está indicada se a morfologia valvar for favorável.
Todos os pacientes devem ser instruídos de que modificações nos sintomas
requerem avaliação adicional .Em pacientes assintomáticos a reavaliação
anual é recomendada através de história clínica, exame físico, RX e ECG. Um
ecocardiograma anual não se faz necessário exceto em caso de alteração
evolutiva no estado clínico. Holtter para avaliar a presença de paroxismos
de fibrilação atrial está indicado em pacientes com palpitações.
Tratamento clínico
Consiste em profilaxia adequada para febre reumática, endocardite infecciosa,
b -bloqueadores ou bloqueadores dos canais de cálcio para aqueles com
sintomas aos exercícios físicos e FC aumentada e restrição de sal assim como
administração intermitente de diuréticos se há evidências de congestão
pulmonar. Digital não beneficia pacientes com estenose mitral em ritmo
sinusal exceto em caso de disfunção de VE ou VD.
A fibrilação atrial ocorre mais comumente em pacientes idosos e associa-se a
prognóstico pior, com taxa de sobrevida em 10 anos de 25% comparada a 46%
naqueles que permanecem em ritmo sinusal. O risco da FA consiste na
possibilidade de instabilidade hemodinâmica e embolia sistêmica. Seu
tratamento consiste inicialmente em anticoagulação e controle da FC com b -bloqueadores,
bloqueadores dos canais de cálcio ou digital. Em caso de instabilidade
hemodinâmica deve-se proceder a cardioversão elétrica imediata com heparina
EV antes, durante e após o procedimento. Se o paciente tem FA documentada
por mais de 24-48 h e não faz uso de anticoagulação de longo prazo pode-se
proceder de 2 formas. A primeira consiste em anticoagular com warfarim por >
3 semanas seguido de cardioversão eletiva. A Segunda consiste em
anticoagular com heparina e realizar ETE a fim de verifivar a presença ou
não de trombo. Na ausencia de trombo, pode-se realizar a cardioversão em
vigência da heparina. Após a cardioversão é importante continuar a
anticoagulação com warfarim por mais algum tempo até a recuperação da função
atrial. Em alguns casos pode-se decidir por não realizar a cardioversão e
apenas controlar a FC, na dependencia de vários fatores como p. ex : duração
da FA, história de episódios prévios de FA.
Embolia sistêmica pode ocorrer em 10 a 20% dos pacientes com estenose
mitral. Cerca de 1/3 dos eventos embólicos ocorrem < 1 mês após o inicio da
FA e 2/3 dentro de 1 ano. A freqüência de eventos embólicos não esta
relacionada à gravidade da estenose mitral, débito cardíaco, área do AE ou
presença de sintomas. Um evento embólico pode ser a manifestação inicial da
estenose mitral. Em pacientes que sofreram um evento embólico a freqüência
de recorrência é alta. Até o momento não há dados que apoiem o conceito de
que a anticoagulação oral é benéfica em pacientes com estenose mitral sem
evidencia de FA ou evento embólico prévio.
Recomendações para anticoagulação em estenose
mitral:
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Indicação |
Classe |
| 1. Pacientes com fibrilação atrial, paroxistica ou
crônica. |
I |
| 2. Pacientes com evento embólico prévio. |
I |
| 3. Pacientes com estenose mitral grave e dimensão
atrial esquerda > 55 mm pela ecocardiografia. |
II b |
| 4. Todos os outros pacientes com estenose mitral. |
III |
Avaliação dos pacientes sintomáticos:
Pacientes sintomáticos com classe funcional de NYHA II com moderada a grave
estenose ( área valvar < 1,5 cm² ou gradiente médio > 5 mmHg ) devem ser
considerados para valvuloplastia mitral por balão se possuem anatomia valvar
favorável.
Pacientes com classe funcional III ou IV e estenose grave têm um prognóstico
ruim se não forem tratados por valvuloplastia ou cirurgia e, portanto, um
destes procedimentos deve ser considerado.
Em caso de discrepância entre a clínica e os dados hemodinâmicos, o eco de
estresse com dobutamina ou esforço físico podem ser úteis para diferenciar
entre sintomas causados por estenose mitral ou por outras causas.
Indicações para cateterismo cardíaco:
Recomendações para CAT em estenose mitral:
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Indicação |
Classe |
| 1. Realizar valvuloplastia mitral por balão em
pacientes previamente selecionados. |
I |
| 2. Avaliar a gravidade da insuficiência mitral em
pacientes considerados para valvuloplastia por balão quando os dados
clínicos e ecocardiográficos são discordantes. |
II a |
| 3. Avaliar as pressões em artéria pulmonar, AE e
VE, quando as pressões estimadas pelo eco e a clínica do paciente
são discordantes na determinação da gravidade da estenose. |
II a |
| 4. Avaliar a resposta hemodinâmica das pressões
de artéria pulmonar e de AE ao estresse quando os sintomas e a
hemodinâmica basal são discordantes. |
II a |
| 5. Avaliar a hemodinâmica da valva mitral quando
os dados ecocardiográficos e achados clínicos são concordantes. |
III |
Indicações para valvulotomia cirúrgica ou percutânea:
Os resultados da valvuloplastia mitral percutânea são altamente dependentes
da experiência dos examinadores que deve ser tomada em consideração ao se
indicar este procedimento. Seus resultados imediatos são semelhantes ao da
comissurotomia cirúrgica. A área valvar média geralmente duplica (de 1,0 cm²
para 2,0 cm²) com >50 a 60% de redução no gradiente transmitral. Define-se
um procedimento bem sucedido como a obtenção de uma área valvar > 1,5 cm² e
um decréscimo da pressão de AE < 18 mmHg na ausência de complicações. A
complicação aguda mais comum inclui insuficiência mitral grave, em 2 a 10 %
dos casos e a persistência de defeito residual do septo inter-atrial. Uma
grande CIA (shunt esquerda-direita > 1,5 : 1) ocorre em cerca de 12% dos
pacientes com a técnica de duplo balão e < 5% com a técnica do balão de
Inoue .Pequenas CIA são freqüentes. Complicações menos freqüentes incluem:
perfuração de VE, eventos embólicos, IAM. A mortalidade deste procedimento
em grandes séries fica em torno de 1 a 2 %.
Informações de acompanhamento destes pacientes a longo prazo são limitadas.
A sobrevida livre de eventos (morte , novas valvuloplastias ou troca valvar
mitral) está em torno de 50 a 65% entre 3 a 7 anos, chegando a 80 a 90 % em
pacientes com morfologia valvar mitral favorável. Mais de 90% dos pacientes
livres de eventos permanece em classe funcional de NYHA I ou II após o
procedimento. A longo prazo (3 a 7 anos) os resultados clínicos e
hemodinâmicos são mais favoráveis com a valvuloplastia por balão do que com
a comissurotomia fechada e equivalentes aos da comissurotomia aberta.
O mais importante fator na determinação prognóstica é a morfologia da valva
mitral. Pacientes com calcificação valvular, espessamento fibrótico dos
folhetos com diminuição da mobilidade e fusão sub-valvar têm alta incidência
de complicações agudas e alto índice de estenose recorrente. Em pacientes
com valvas não calcificadas, sem cálcio nas comissuras, o procedimento pode
ser realizado com altos índices de sucesso (> 90%) baixo índice de
complicações (< 2 a 3%) e melhora sustentada em 80 a 90% ao longo de 3 a 7
anos.
Contraindicações relativas a valvuloplastia mitral percutânea incluem a
presença de trombo em AE e significativa IM. Realiza-se rotineiramente o ETE
antes do procedimento para avaliar se há trombo em AE, especialmente em
auriculeta. No caso de encontrar-se um trombo, 3 meses de anticoagulação com
warfarin deve levar ao desaparecimento do trombo.
Pacientes mais sintomáticos com morfologia valvar menos favorável têm maior
incidência de complicações agudas e menor índice de sobrevda livre de
eventos (aproximadamente 50% em 5 anos, comparado a 80 a 90% em pacientes
com morfologia valvar favorável)
Recomendações para valvuloplastia mitral percutânea:
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Indicações |
Classe |
| 1. Pacientes sintomáticos (NYHA II, III ou IV) com
estenose moderada a grave (área valvar < 1,5 cm²) e morfologia
valvar favorável na ausência de trombo em AE ou IM grave. |
I |
| 2. Pacientes assintomáticos com estenose moderada
a grave (área valvar < 1,5 cm²) e morfologia valvar favorável
portadores de hipertensão pulmonar (pressão sistólica de artéria
pulmonar > 50 mmHg em repouso ou 60 mmHg ao esforço) na ausência de
trombo em AE ou IM grave. |
II a |
| 3. Pacientes sintomáticos (NYHA III ou IV) com
estenose moderada a grave (área valvar < 1,5 cm²) e valvas
calcificadas com diminuição da mobilidade que são de alto risco para
a cirurgia na ausência de trombo em AE ou IM moderada a grave. |
II a |
| 4. Pacientes assintomáticos com estenose moderada
a grave (área valvar < 1,5 cm²) e morfologia valvar favorável que
têm uma FA de início recente na ausência de trombo em AE ou IM
moderada a grave. |
II b |
| 5. Pacientes sintomáticos (NYHA III ou IV) com
estenose moderada a grave (área valvar < 1,5 cm²) e valvas
calcificadas com diminuição da mobilidade que são de baixo risco
para a cirurgia. |
II b |
| 6. Pacientes com estenose leve. |
III |
Recomendações para o reparo cirúrgico em
estenose mitral (comissurotomia):
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Indicações |
Classe |
| 1. Pacientes sintomáticos (NYHA III ou IV) com
estenose moderada a grave (área valvar < 1,5 cm²) e morfologia
valvar favorável para o reparo se a valvuloplastia por balão não
está disponível. |
I |
| 2. Pacientes sintomáticos (NYHA III ou IV) com
estenose moderada a grave (área valvar < 1,5 cm²) e morfologia
valvar favorável para o reparo se trombo em AE está presente a
despeito da anticoagulação. |
I |
| 3. Pacientes sintomáticos (NYHA III ou IV) com
estenose moderada a grave (área valvar < 1,5 cm²) e valvas
calcificadas onde a decisão entre a realização de reparo ou troca
valvar será feita no ato cirúrgico. |
I |
| 4. Pacientes NYHA I com estenose moderada a grave
(área valvar < 1,5 cm²) e morfologia valvar favorável para o reparo,
com episódios recorrentes de eventos embólicos na presença de
anticoagulação adequada. |
II b |
| 5. Pacientes NYHA I – IV e estenose leve. |
III |
Recomendações para troca valvar mitral em
estenose mitral:
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Indicação |
Classe |
| 1. Pacientes sintomáticos (NYHA III ou IV) com
estenose moderada a grave (área valvar < 1,5 cm²), não candidatos a
valvuloplastia por balão ou reparo cirúrgico. |
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| 2. Pacientes com estenose grave (área valvar <
1,0 cm²) e hipertensão pulmonar grave (PSAP > 60 a 80 mmHg) com NYHA
I - II, não candidatos a valvuloplastia por balão ou reparo
cirúrgico (para prevenir a falência de VD). |
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Em pacientes jovens, saudáveis, a troca valvar mitral tem um risco < 5% ;
entretanto em idosos com patologias concomitantes ou hipertensão pulmonar a
níveis sistêmicos o risco pode ser da ordem de 10 a 20%.
Pacientes que se apresentam em classe funcional IV não devem ter seu
procedimento retardado porque o prognóstico sem intervenção é grave.
Avaliação dos pacientes após valvulotomia ou comissurotomia:
Após comissurotomia cirúrgica a recorrência de sintomas em 9 anos é de 60%,
mas estenose como causadora dos sintomas é < 20 %. Em pacientes com
adequados resultados iniciais outras causas como insuficiência mitral
progressiva e o desenvolvimento de outras disfunções valvares ou doença
coronariana são freqüentemente responsáveis pela recorrência dos sintomas.
Pacientes submetidos a valvuloplastia mitral por balão têm incidência maior
de retorno dos sintomas em 1 a 2 anos após o procedimento se a morfologia
valvar não for favorável o que pode decorrer de resultado inicial inadequado
ou reestenose.
O acompanhamento de pacientes após valvuloplastia mitral por balão bem
sucedida ou comissurotomia cirúrgica é similar ao de pacientes
assintomáticos com estenose mitr al.O primeiro ecocardiograma a ser
realizado deve ser feito > 72 h após o procedimento para excluir
significativas complicações como insuficiência mitral, disfunção de VE e
comunicação interatrial. A maioria dos pequenos shunts esquerda–direita
desaparecem após seis meses.
Valvoplastia por balão repetida pode ser realizada em pacientes com
reestenose após comissurotomia cirúrgica ou valvuloplastia por balão feitas
anteriormente, mas os resultados são menos satisfatórios em decorrência da
maior deformidade, fibrose e calcificação presente nestas valvas. |